
MANAUS (AM) — Manaus voltou a amanhecer sob uma espessa camada de fumaça, que deixou o céu acinzentado, reduziu a visibilidade e provocou piora significativa na qualidade do ar em diferentes regiões da capital amazonense.
Na quinta-feira (17), sensores registraram níveis elevados de partículas finas. Na Compensa, Zona Oeste, a concentração chegou a 129,5 microgramas por metro cúbico (µg/m³) durante a manhã, faixa classificada como péssima nas medições divulgadas. Bairros como Parque Dez, Nossa Senhora das Graças, Morro da Liberdade, Cachoeirinha e Aparecida também apresentaram índices muito ruins.
A situação chamou atenção principalmente nas primeiras horas do dia, quando prédios e outros pontos da cidade ficaram parcialmente encobertos pela névoa cinza. O episódio foi o terceiro em menos de dez dias com forte presença de fumaça em Manaus, após ocorrências semelhantes nos dias 9 e 13 de setembro.
Em comunicado oficial, a Prefeitura de Manaus informou que monitora continuamente a qualidade do ar. A Defesa Civil Municipal registrou na quinta-feira uma concentração média de 94,7 µg/m³ de MP2,5, classificada pelo município como “muito ruim”.
Segundo a Prefeitura, a fumaça que atingiu a capital é proveniente de áreas de queimadas na Região Metropolitana, principalmente nos municípios de Itacoatiara, Careiro da Várzea, Iranduba e Manacapuru. O município ressaltou que Manaus está entre as cidades com menor número de focos de incêndio registrados no Amazonas, conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
A origem da fumaça pode variar de um episódio para outro. No evento registrado em 9 de setembro, por exemplo, a Defesa Civil informou que parte da fumaça vinha de queimadas localizadas ao sul do Amazonas, no norte de Mato Grosso e em Rondônia, transportada pelos ventos em direção a Manaus.
O problema não ficou restrito à capital. Na manhã do dia 17, Manaquiri registrou 126,8 µg/m³, enquanto Manacapuru chegou a 114,7 µg/m³ e Iranduba a 107,4 µg/m³, segundo dados divulgados a partir do monitoramento da qualidade do ar.
A presença de material particulado fino merece atenção porque essas partículas são suficientemente pequenas para penetrar profundamente no sistema respiratório.
A Secretaria Municipal de Saúde orienta que a população reduza a exposição à fumaça, principalmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas.
Nos períodos de pior qualidade do ar, a recomendação é evitar exercícios ao ar livre, como caminhadas, corridas e ciclismo, manter boa hidratação e proteger olhos e nariz. Quando a exposição for inevitável, máscaras adequadas, como a N95, podem ajudar a diminuir a inalação de partículas.
Sintomas como tosse, irritação ou dor de garganta, ardência nos olhos, coriza, dor de cabeça, chiado no peito e falta de ar exigem atenção. Em casos leves, a orientação municipal é procurar uma Unidade Básica de Saúde; sintomas mais graves devem ser avaliados em serviços de pronto atendimento. Em emergências, o Samu pode ser acionado pelo 192.
Os sucessivos episódios registrados em setembro voltam a colocar a qualidade do ar no centro das preocupações ambientais e de saúde pública em Manaus.
Além dos impactos respiratórios, a camada de fumaça pode prejudicar a visibilidade e alterar a rotina de quem precisa circular pela cidade nas primeiras horas do dia.
A Prefeitura informou que mantém o acompanhamento das condições meteorológicas e da qualidade do ar e que novas informações serão divulgadas caso ocorram mudanças significativas.