
A disputa pelo comando do PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro) ganhou um novo e grave capítulo nesta quarta-feira (26). Aldinea Fidelix, viúva de Levy Fidelix e uma das fundadoras da legenda, manifestou preocupação com os rumos do partido e afirmou que o crime organizado não pode encontrar espaço dentro da estrutura partidária.
As declarações foram dadas em entrevista publicada pelo UOL e ocorrem em meio às movimentações do PRTB para as Eleições de 2026, incluindo o registro de Pablo Marçal como candidato à Presidência da República, apesar de sua atual situação de inelegibilidade.
Aldinea e sua filha, a advogada Karina Fidelix, sustentam que o partido passou por um processo de descaracterização depois da morte de Levy Fidelix, em abril de 2021. Segundo elas, a legenda teria se afastado dos princípios defendidos durante a gestão de seu fundador.
A crítica mais contundente está relacionada à possibilidade de pessoas que, segundo a família Fidelix, teriam ligações ou proximidade com integrantes de organizações criminosas exercerem influência sobre decisões políticas e eleitorais da legenda.
Aldinea, porém, fez uma ressalva importante: ela não acusa Pablo Marçal de integrar organização criminosa. Sua preocupação, segundo a reportagem, está relacionada à possibilidade de pessoas com supostos vínculos com organizações criminosas influenciarem a escolha de candidatos e os rumos do partido.
Aldinea e Karina afirmaram que pretendem recorrer ao Judiciário na tentativa de impedir a presença ou influência de pessoas que consideram ligadas ao crime organizado dentro da legenda.
O movimento também tem como objetivo político afastar o atual presidente nacional do PRTB, Leonardo Avalanche, do comando partidário.
A disputa, entretanto, não começou agora.
Após a morte de Levy Fidelix, Aldinea, que ocupava a primeira vice-presidência, assumiu a direção da legenda após uma resolução da comissão executiva. O estatuto partidário, naquele momento, não estabelecia de maneira clara como deveria ocorrer a sucessão em caso de morte do presidente.
Posteriormente, Júlio Fidelix, irmão de Levy, entrou na disputa pelo controle da sigla. Em agosto de 2022, uma decisão liminar do então ministro Alexandre de Moraes, no Tribunal Superior Eleitoral, assegurou a presidência do partido a Júlio.
Aldinea e Karina passaram então a questionar documentos utilizados no processo interno partidário.
Segundo elas, atas apresentadas para comprovar a realização de uma convenção continham assinaturas falsificadas. A reportagem informa que uma perícia privada e posteriormente um laudo solicitado pela Justiça de São Paulo apontaram fraude em assinaturas.
A crise partidária levou a uma nova mudança.
Em dezembro de 2023, Alexandre de Moraes nomeou Luciano Felício Fuck como interventor do PRTB. A missão era reorganizar a legenda e promover um novo processo para escolha da direção nacional.
O processo terminou com a eleição de Leonardo Avalanche para a presidência do partido em 2024.
Mas a chegada de Avalanche também passou a ser alvo de questionamentos.
De acordo com a reportagem do UOL, o Ministério Público de São Paulo denunciou o dirigente por supostas irregularidades relacionadas à eleição interna do PRTB. A Justiça recebeu a denúncia, tornando Avalanche réu por acusações que incluem associação criminosa, violência política de gênero e inserção de dados falsos em sistemas públicos. Isso não significa condenação, e as acusações ainda dependem do devido processo judicial.
Outro ponto sensível envolve declarações atribuídas ao próprio presidente do partido.
Durante a campanha municipal de 2024, reportagem da Folha de S.Paulo revelou áudios nos quais Avalanche teria afirmado a um aliado possuir vínculos com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Avalanche nega ter ligações com a organização criminosa. A reportagem do UOL informa ainda que ele não comentou as novas declarações feitas por Aldinea Fidelix.
Essa distinção é fundamental: existem acusações, investigações, processos e declarações públicas envolvendo integrantes da legenda, mas eventuais responsabilidades criminais precisam ser determinadas pela Justiça.
O nome de Pablo Marçal também voltou ao centro da crise interna.
Avalanche foi coordenador da campanha de Marçal à Prefeitura de São Paulo em 2024 e se tornou um dos principais responsáveis pela aproximação do empresário e influenciador com o PRTB.
Agora, com a movimentação do partido para lançá-lo à Presidência em 2026, a família Fidelix questiona como a decisão foi construída.
Aldinea afirmou ter sido surpreendida pela indicação, principalmente diante da atual inelegibilidade de Marçal. Segundo ela, o nome do influenciador está sendo analisado pelo grupo ligado à família Fidelix.
A relação de Marçal com a crise do partido não é recente. Já durante as eleições municipais de 2024, diferentes grupos disputavam judicialmente o comando do PRTB e havia questionamentos internos sobre sua candidatura à Prefeitura de São Paulo.
Outro dado destacado pela reportagem envolve o patrimônio declarado pelo presidente nacional do PRTB.
Leonardo Avalanche declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de aproximadamente R$ 495 milhões, sendo cerca de R$ 491 milhões em criptomoedas.
Em 2018, quando disputou uma vaga de deputado federal por Goiás pelo Podemos, havia declarado aproximadamente R$ 379,8 mil em bens.
A diferença entre os valores adiciona mais um elemento ao intenso debate político envolvendo a atual direção partidária.
Fundado oficialmente em 1997 e comandado durante décadas por Levy Fidelix, o PRTB atravessa uma longa disputa pelo controle de sua estrutura nacional.
O conflito envolve a família do fundador, antigos dirigentes, a atual direção, decisões do Tribunal Superior Eleitoral, processos judiciais e divergências sobre quem deve conduzir o partido.
Com a aproximação das eleições gerais de outubro, a crise ganha ainda mais importância.
Aldinea e Karina Fidelix deixam claro que pretendem levar novamente a disputa aos tribunais e buscar mudanças no comando da legenda. Para elas, a questão ultrapassa uma simples briga familiar pelo controle de um partido e envolve a própria integridade das instituições partidárias.
Do outro lado, Leonardo Avalanche nega ligações com o PCC, enquanto a atual direção permanece à frente do PRTB.
A batalha política e judicial pelo futuro do partido, portanto, está longe de terminar — e pode produzir novos capítulos justamente no momento em que o Brasil entra na fase decisiva das Eleições de 2026.
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