
MANAUS (AM) – Quando se fala em artes marciais no Amazonas, é natural que nomes ligados ao jiu-jítsu e ao MMA apareçam imediatamente. Mas existe outra história que merece espaço entre as grandes conquistas esportivas do Estado. É a trajetória do amazonense Reticlis Matos, karateca que representou Manaus, o Amazonas e o Brasil dentro e fora do país e alcançou títulos mundiais ao longo de uma carreira construída durante décadas.
Competidor, faixa-preta, treinador, dirigente esportivo e servidor público, Reticlis fez do karatê muito mais do que uma modalidade esportiva. Transformou a arte marcial em instrumento de disciplina, educação e inclusão de crianças e adolescentes.
E, mesmo depois do período de suas grandes conquistas competitivas, seu nome permanece associado à história do karatê amazonense.
A trajetória competitiva de Reticlis começou muito antes de seu título mundial mais divulgado, conquistado em 2014.
Uma reportagem publicada em 2011 pelo jornal Diário do Amazonas registrava Reticlis, então com 41 anos, como treinador e chefe de uma delegação amazonense que participaria de um Campeonato Brasileiro de Karatê em Belém, no Pará.
Naquele momento, ele também aparecia como presidente da Federação Amazonense de Karatê Shotokan (FAKS).
O registro revela ainda um dado importante de sua carreira: naquela época, Reticlis já possuía dois títulos mundiais na categoria adulto, no kumitê, conquistados em 1998 e 2009.
Ou seja, a relação do amazonense com competições internacionais antecede em muitos anos a conquista que o tornaria novamente campeão mundial em território brasileiro.
Outro número ajuda a dimensionar sua carreira.
Em registros oficiais publicados pela Prefeitura de Manaus, Reticlis aparece como 20 vezes campeão brasileiro de karatê.
Também havia participado de pelo menos oito competições internacionais e conquistado primeiros lugares fora do país.
Essa experiência fez com que seu nome passasse a ser reconhecido não somente como atleta, mas também como treinador e representante do karatê amazonense.
Em 2013, por exemplo, Reticlis foi convocado para integrar a seleção brasileira da Shotokan Karate-Do International Federation – SKIF Brasil, que disputaria o Campeonato Pan-Americano da modalidade no Panamá.
Naquele período, já desenvolvia havia aproximadamente duas décadas atividades relacionadas ao karatê junto à Guarda Municipal de Manaus.
Em maio de 2014 veio mais um dos grandes capítulos da carreira.
Reticlis Matos disputou o World Karate Championship for Seniors and Veterans, realizado entre os dias 12 e 18 de maio, em Foz do Iguaçu, no Paraná.
O campeonato reuniu karatecas de 28 países.
Representando o Amazonas, Reticlis chegou à decisão da categoria Absoluto Master e enfrentou um representante da Inglaterra.
O amazonense venceu.
Reticlis Matos tornava-se novamente campeão mundial.
A campanha foi ainda mais expressiva porque ele não voltou para Manaus apenas com a medalha de ouro.
Reticlis conquistou também prata por equipe e bronze no kata individual.
Foram três medalhas em uma única competição internacional.
A conquista de 2014 também revelou outra característica presente na trajetória do atleta: superação.
Antes da competição, Reticlis realizou uma preparação intensa em Manaus e chegou a perder aproximadamente sete quilos.
Dias antes do Mundial, ainda precisou enfrentar uma virose.
Mesmo assim, viajou para Foz do Iguaçu e entrou no campeonato.
Depois da conquista, o próprio karateca afirmou que sua verdadeira luta havia começado ainda em Manaus, durante os treinamentos e na recuperação do problema de saúde.
O resultado foi o lugar mais alto do pódio.
Mas existe uma parte da história de Reticlis Matos que não pode ser medida pelo número de medalhas.
Paralelamente às competições, ele começou a compartilhar o conhecimento acumulado nos tatames.
Reticlis esteve envolvido no desenvolvimento de atividades de karatê destinadas principalmente a crianças e adolescentes.
Um desses trabalhos funcionou no Ginásio Ninimberg Guerra, no bairro São Jorge, Zona Oeste de Manaus.
O campeão também esteve diretamente relacionado ao projeto Oficina da Luta.
O projeto começou no São Jorge e, segundo registros da época, chegou a possuir quatro núcleos, levando as artes marciais para jovens de diferentes comunidades.
Nesse trabalho, o karatê deixava de ser apenas competição.
Passava a ser utilizado como ferramenta de educação, disciplina, respeito, autocontrole e formação cidadã.
A carreira de Reticlis também passou pela organização esportiva.
Além de treinador de atletas amazonenses, registros jornalísticos mostram que ele ocupou a presidência da Federação Amazonense de Karatê Shotokan (FAKS).
Também coordenou eventos destinados à divulgação da modalidade.
Na VI Mostra de Karate-Do realizada na Ponta Negra, por exemplo, Reticlis apareceu como coordenador de uma programação que reuniu cerca de 150 karatecas, incluindo demonstrações, oficinas para crianças e competições.
A proposta defendida pelo mestre era apresentar o karatê também como atividade educativa.
Era uma mudança natural na trajetória de alguém que havia passado tantos anos competindo.
O atleta começava a assumir também o papel de formador.
Essa é justamente a pergunta que surge quando se revisita uma carreira tão extensa.
Nas pesquisas realizadas para esta reportagem, os registros públicos mais detalhados sobre a vida profissional e competitiva de Reticlis ainda estão concentrados principalmente no período de suas grandes conquistas.
Não foram localizadas, até setembro de 2026, informações públicas suficientemente consistentes para afirmar que Reticlis esteja atualmente disputando campeonatos profissionais ou internacionais, nem para determinar com segurança qual função administrativa ou esportiva ocupa neste momento.
Entretanto, seu nome continua aparecendo relacionado ao karatê em Manaus.
Há registro disponibilizado pelo Globoplay de uma participação de Reticlis no programa Zappeando, da Rede Amazônica, falando justamente sobre a cena do karatê em Manaus e o trabalho desenvolvido na cidade.
O conteúdo reforça algo que atravessa praticamente toda sua história: a ligação permanente com a modalidade.
Portanto, mais do que perguntar apenas se Reticlis ainda compete, talvez seja necessário observar aquilo que permaneceu depois das competições.
O campeão tornou-se referência.
Somadas, as informações encontradas sobre Reticlis revelam uma carreira incomum.
São registros de títulos mundiais, aproximadamente duas dezenas de conquistas brasileiras, participações internacionais, presença em seleção brasileira, atuação como treinador, dirigente esportivo, organizador de eventos e responsável por trabalhos sociais ligados às artes marciais.
Poucos atletas conseguem permanecer tantos anos vinculados a uma modalidade desempenhando funções tão diferentes.
Primeiro, Reticlis aprendeu.
Depois, competiu.
Venceu.
Representou o Amazonas.
Representou o Brasil.
E posteriormente passou a ensinar aquilo que havia aprendido.
A trajetória de Reticlis Matos também ajuda a ampliar a própria narrativa das artes marciais amazonenses.
O Estado que revelou grandes campeões mundiais de jiu-jítsu também produziu atletas de destaque em outras modalidades.
E Reticlis faz parte dessa história.
Quando entrou nos tatames internacionais, ele carregou consigo o nome de Manaus e do Amazonas.
Quando voltou, trouxe não somente medalhas.
Trouxe experiência.
E parte dessa experiência foi posteriormente transmitida para crianças, adolescentes e novos praticantes da modalidade.
Essa talvez seja uma das maiores vitórias que um atleta pode conquistar.
A história de Reticlis Matos não termina no momento em que uma luta acaba ou uma medalha é colocada no peito.
Ela permanece nos registros das competições, nos atletas que ajudou a preparar, nas crianças que tiveram contato com seus projetos e na história do karatê praticado no Amazonas.
Mais de duas décadas separam algumas de suas primeiras conquistas internacionais dos dias atuais.
O competidor tornou-se mestre.
O atleta tornou-se referência.
E o homem que um dia saiu de Manaus para enfrentar adversários de outros países voltou para compartilhar aquilo que aprendeu.
Reticlis Matos não conquistou apenas títulos para o Amazonas. Ajudou a construir uma parte da história do karatê amazonense.
Modalidade: Karatê
Especialidade registrada: Kumitê e kata
Origem: Amazonas
Atuação histórica: Atleta, treinador, instrutor e dirigente esportivo
Serviço público: Guarda Municipal de Manaus
Títulos brasileiros registrados: 20
Títulos mundiais registrados em fontes jornalísticas: conquistas em 1998 e 2009, além do título no Mundial realizado em Foz do Iguaçu em 2014
Mundial de 2014: ouro no Absoluto Master, prata por equipe e bronze no kata individual
Atuação internacional: participação em competições internacionais e convocação para representar o Brasil
Trabalho social: atuação no projeto Oficina da Luta e atividades de karatê destinadas a crianças e adolescentes
Dirigência: registro histórico como presidente da Federação Amazonense de Karatê Shotokan
Legado: formação de atletas e incentivo à utilização das artes marciais como ferramenta de educação, disciplina e inclusão social.
Mín. 29° Máx. 35°
