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SETEMBRO AMARELO: Amazonas registrou 345 mortes por suicídio em 2024 e reforça alerta para prevenção

Campanha chama atenção para saúde mental, acolhimento e valorização da vida; jovens e homens aparecem entre os grupos que exigem maior atenção no Estado

01/09/2026 às 19h26
Por: Jacob Santiago Fonte: ascom
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MANAUS (AM) – O mês de setembro começa com um chamado que precisa ultrapassar as campanhas nas redes sociais: falar sobre saúde mental, acolher quem enfrenta sofrimento emocional e ampliar o acesso à ajuda. O Setembro Amarelo, movimento nacional de conscientização e prevenção do suicídio, ganha importância especial no Amazonas diante dos números registrados no Estado.

Dados divulgados pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) mostram que, somente em 2024, foram registrados 345 óbitos por suicídio no Amazonas, além de 1.073 notificações de lesões autoprovocadas.

Os números ajudam a dimensionar um problema que muitas vezes permanece escondido dentro das famílias.

Homens representam mais de 80% das mortes

O levantamento oficial mostra ainda uma diferença importante entre os perfis registrados.

Entre as notificações de lesões autoprovocadas, 62,2% ocorreram entre mulheres, com destaque para jovens de 15 a 29 anos.

Quando são analisadas as mortes por suicídio, porém, o cenário muda: 80,9% das vítimas eram homens, com destaque para a faixa etária entre 20 e 39 anos.

Os dados mostram que a prevenção precisa considerar diferentes públicos e realidades, especialmente jovens e adultos que podem estar enfrentando sofrimento emocional sem conseguir pedir ajuda.

O silêncio também precisa ser enfrentado

Depressão, ansiedade, conflitos familiares, dificuldades financeiras, luto, solidão, dependência de álcool ou outras drogas e diferentes situações de vulnerabilidade podem estar associadas ao sofrimento emocional.

Isso não significa, entretanto, que exista uma causa única para o suicídio.

Trata-se de um fenômeno complexo e que exige uma abordagem responsável, evitando julgamentos, simplificações ou tentativas de encontrar culpados.

Por isso, uma das principais mensagens do Setembro Amarelo é a importância da escuta.

Quando alguém demonstra sofrimento intenso, isolamento, desesperança ou mudanças importantes de comportamento, a situação não deve ser tratada como “frescura”, “fraqueza” ou simplesmente falta de força de vontade.

Ouvir sem julgar pode ser o primeiro passo para que essa pessoa aceite procurar ajuda.

Em Manaus, onde procurar ajuda?

A população de Manaus dispõe de serviços públicos especializados em saúde mental.

Um deles é o Centro de Atenção Psicossocial Dr. Silvério Tundis (CAPS), localizado na avenida Sete de Maio, no bairro Santa Etelvina, Zona Norte da capital.

A unidade é voltada ao atendimento psicossocial de adultos em intenso sofrimento psíquico e pessoas com transtornos mentais graves e persistentes. O serviço conta com equipe multiprofissional, incluindo profissionais de Psiquiatria, Psicologia, Enfermagem, Serviço Social, Terapia Ocupacional e Farmácia.

Manaus também conta com o Centro de Saúde Mental do Amazonas (CESMAM), referência estadual para atendimento de urgências e emergências psiquiátricas. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, o pronto atendimento funciona 24 horas.

Em situações de emergência ou tentativa de suicídio, o SAMU pode ser acionado gratuitamente pelo número 192.

CVV atende gratuitamente pelo número 188

Outra importante rede de apoio disponível aos amazonenses é o Centro de Valorização da Vida (CVV).

O atendimento pelo telefone 188 é gratuito e funciona 24 horas por dia, oferecendo apoio emocional de maneira sigilosa e sem julgamentos.

O serviço também disponibiliza outras formas de atendimento por meio de seus canais digitais.

É importante destacar que o CVV não substitui acompanhamento médico ou psicológico, mas pode representar um espaço imediato de escuta para quem precisa conversar.

Família pode ajudar — mas precisa saber ouvir

Dentro de casa, pequenas mudanças de comportamento podem indicar que alguma coisa não está bem.

Isolamento repentino, abandono de atividades anteriormente importantes, alterações significativas de sono, manifestações persistentes de desesperança ou falas relacionadas à falta de sentido da vida merecem atenção.

Esses sinais isoladamente não permitem diagnosticar uma pessoa, mas podem indicar a necessidade de aproximação e diálogo.

Perguntar como alguém está se sentindo, demonstrar disponibilidade para ouvir e acompanhar a pessoa na procura por atendimento profissional são atitudes importantes.

Igrejas e comunidades podem integrar a rede de acolhimento

No Amazonas, onde igrejas e organizações religiosas possuem forte presença comunitária, essas instituições também podem desempenhar um papel importante na identificação e no acolhimento de pessoas em sofrimento.

A fé, a oração, o aconselhamento pastoral e a convivência comunitária podem representar fontes de conforto e esperança para muitas pessoas.

Entretanto, diante de sofrimento psíquico intenso, o acompanhamento espiritual não precisa excluir o atendimento profissional. Pastores, líderes e comunidades podem atuar como pontes, incentivando a pessoa a procurar psicólogos, psiquiatras e os serviços disponíveis pelo Sistema Único de Saúde.

Acolher significa também reconhecer quando é necessário buscar ajuda especializada.

Prevenção precisa chegar ao interior do Amazonas

A dimensão territorial do Amazonas acrescenta outro desafio ao debate sobre saúde mental.

São comunidades ribeirinhas, indígenas e populações residentes em municípios distantes da capital, muitas vezes separadas por grandes distâncias e com diferentes níveis de acesso aos serviços especializados.

Por isso, políticas de prevenção precisam considerar as particularidades geográficas, sociais e culturais do Estado.

O desafio não está apenas em tratar quem já chegou aos serviços de saúde, mas também em ampliar informação, prevenção, diagnóstico e assistência.

Setembro termina. O cuidado não.

O Setembro Amarelo é importante porque coloca a saúde mental no centro da discussão pública. Mas prevenção não pode acontecer somente durante 30 dias.

Ela precisa continuar em outubro, novembro, dezembro e durante todo o ano.

Nas famílias. Nas escolas. Nas empresas. Nas igrejas. Nas comunidades. Nos serviços públicos. E também nos meios de comunicação.

A Amazônia Play TV se soma à conscientização de que falar sobre saúde mental com responsabilidade é uma forma de contribuir para a valorização da vida.

Você não precisa enfrentar um momento difícil sozinho. Procure alguém de confiança e busque ajuda.

ONDE BUSCAR AJUDA

CVV – Centro de Valorização da Vida: 188 – atendimento gratuito, 24 horas.

SAMU Manaus: 192 – para situações de urgência e emergência, incluindo tentativas de suicídio.

CAPS Dr. Silvério Tundis: Av. Sete de Maio, s/nº, Santa Etelvina, Manaus. Telefone informado pela SES-AM: (92) 3652-3152.

CESMAM – Centro de Saúde Mental do Amazonas: atendimento de urgência e emergência psiquiátrica 24 horas.

Em situação de risco imediato, a pessoa não deve permanecer sozinha. Procure atendimento de emergência ou acione o SAMU pelo 192.

AMAZÔNIA PLAY TV
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