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Tragédia no Himalaia se agrava: centenas de mortos e mais de 1,3 mil desaparecidos no Nepal e no Tibete

Centenas de mortos e ainda pode aumentar o número

27/08/2026 às 09h14 Atualizada em 27/08/2026 às 09h21
Por: Jacob Santiago Fonte: ASCOM
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Buscas avançam nesta quinta-feira após colapso de geleira provocar avalanche de gelo, pedras e lama; centenas de turistas estrangeiros estão entre os desaparecidos e autoridades alertam para risco de uma nova inundação

A dimensão da tragédia que atingiu o Nepal e a região do Tibete, na China, continua aumentando nesta quinta-feira, 27 de agosto de 2026. Equipes de resgate trabalham contra o tempo para encontrar sobreviventes depois que o colapso de uma geleira no Himalaia desencadeou uma gigantesca avalanche de gelo, pedras e lama e provocou inundações devastadoras.

Os números mudam rapidamente à medida que novos corpos são encontrados ao longo dos rios. A Polícia do Nepal informou nesta quinta-feira que 270 corpos haviam sido recuperados no país, enquanto levantamentos posteriores divulgados por veículos internacionais indicavam que o balanço continuava subindo.

Há, entretanto, divergências entre diferentes órgãos nepaleses na contabilização das vítimas, resultado das dificuldades de comunicação e da dimensão da área atingida.

A Associated Press informou posteriormente que a polícia contabilizava 353 mortes no Nepal, enquanto outra autoridade nacional apresentava números diferentes. No lado tibetano da fronteira, autoridades chinesas confirmavam três mortes.

Por isso, o balanço deve continuar sendo tratado como provisório.

Mais de 1,3 mil pessoas desaparecidas

A situação dos desaparecidos é igualmente dramática.

Segundo o balanço da Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal, 826 pessoas permaneciam sem contato no país.

Entre elas estão moradores, integrantes das forças de segurança e centenas de turistas.

Do total, 644 eram turistas, sendo 517 estrangeiros e 127 nepaleses.

No Tibete, a televisão estatal chinesa CCTV informou que 558 pessoas permaneciam desaparecidas no condado de Gyirong, entre elas aproximadamente 260 estrangeiros.

Somados os dois lados da fronteira, mais de 1.300 pessoas continuam desaparecidas.

Os estrangeiros são provenientes de dezenas de países, incluindo Índia, Estados Unidos, Austrália, Reino Unido, Canadá, Ucrânia, Malásia, Alemanha, Coreia do Sul, Japão e Singapura.

Número de mortos aumenta rapidamente

A dimensão do desastre ficou ainda mais evidente ao longo desta quinta-feira.

Às primeiras horas do dia, autoridades nepalesas contabilizavam 165 mortes. Depois, o número passou para 177 e, posteriormente, a Polícia do Nepal anunciou a recuperação de 270 corpos.

Novos levantamentos continuaram elevando o balanço.

Grande parte dos corpos está sendo localizada dezenas de quilômetros abaixo da região onde ocorreu a avalanche.

Somente no distrito de Chitwan, situado aproximadamente 100 quilômetros distante da região de Trishuli, mais de uma centena de corpos foi recuperada do sistema fluvial.

A quantidade de vítimas levou autoridades locais a improvisarem estruturas para receber os corpos, enquanto familiares chegam às cidades em busca de informações sobre parentes desaparecidos.

Mais de 5 mil homens participam das buscas

O Nepal mobilizou uma gigantesca operação de emergência.

Mais de 5 mil integrantes do Exército e das forças policiais participam das buscas e dos trabalhos de assistência.

Helicópteros estão sendo utilizados para sobrevoar áreas inacessíveis, resgatar sobreviventes e transportar alimentos, barracas, medicamentos e outros suprimentos para comunidades isoladas.

Pelo menos 125 pessoas foram resgatadas nesta quinta-feira, incluindo 20 estrangeiros.

As operações são dificultadas pela destruição de estradas e pontes e pela enorme quantidade de lama e pedras acumuladas nos vales.

Turistas e peregrinos estão entre as vítimas

A tragédia ganhou repercussão mundial devido ao grande número de estrangeiros que estavam na região.

A área atingida integra uma importante rota entre Catmandu e Lhasa, no Tibete, utilizada por turistas, praticantes de trekking e peregrinos.

Muitas pessoas viajavam em direção ao Monte Kailash e ao Lago Mansarovar, locais considerados sagrados por diferentes religiões asiáticas.

Centenas de famílias em diferentes países agora aguardam informações sobre parentes que estavam na região no momento da catástrofe.

Não foi terremoto

Uma das principais correções feitas desde as primeiras horas da tragédia diz respeito à sua causa.

Inicialmente, informações apontavam que um terremoto de magnitude 4,4 poderia ter provocado o colapso da geleira.

Essa hipótese foi posteriormente descartada pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).

Segundo a nova análise, o sinal detectado pelos equipamentos sísmicos não correspondia a um terremoto.

A energia registrada teria sido produzida pelo próprio colapso de uma enorme massa de rocha e gelo da geleira, seguido por um gigantesco fluxo de detritos.

A avalanche atingiu o sistema fluvial e produziu uma onda de água, pedras, gelo e lama que avançou pelos vales.

Cidades praticamente desapareceram

Imagens aéreas revelam a dimensão da destruição.

Comunidades próximas aos rios foram praticamente varridas do mapa.

Casas, hotéis, restaurantes, veículos, pontes e instalações de energia foram arrastados pela correnteza.

Estradas desapareceram sob a lama e diversas localidades continuam isoladas.

A força da água foi suficiente para transportar corpos dezenas de quilômetros rio abaixo.

Sobreviventes relataram que uma verdadeira parede de água e lama surgiu repentinamente, deixando poucos minutos — e em alguns locais apenas segundos — para que moradores tentassem fugir para regiões mais altas.

Novo perigo preocupa autoridades

Mesmo após a primeira catástrofe, o perigo ainda não passou.

Autoridades chinesas identificaram um lago represado na região de Gyirong, acima da fronteira entre Tibete e Nepal.

Nesta quinta-feira pela manhã, o reservatório formado pela obstrução natural possuía aproximadamente 2 milhões de metros cúbicos de água e já apresentava transbordamento.

A previsão é de que outros 3 milhões de metros cúbicos de água possam chegar ao local nos próximos três dias.

Caso a barreira natural se rompa repentinamente, uma nova onda de inundação poderá atingir as regiões localizadas rio abaixo.

Comunidades consideradas de risco estão sendo retiradas preventivamente.

Ajuda internacional começa a chegar

A dimensão da tragédia provocou uma mobilização internacional.

Índia, Estados Unidos, China, Canadá, Reino Unido, Nações Unidas e outras organizações anunciaram ou iniciaram ações de assistência.

Alimentos, medicamentos, abrigos temporários e equipamentos estão sendo enviados para as regiões afetadas.

O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, também se deslocou para Nuwakot para acompanhar pessoalmente a situação.

Do lado chinês, o primeiro-ministro Li Qiang chegou à região de Gyirong nesta quinta-feira, demonstrando a prioridade dada pelo governo chinês à operação de emergência.

Uma das maiores tragédias recentes do Himalaia

O desastre já está entre as maiores catástrofes naturais recentes da região.

A combinação de relevo extremamente acidentado, geleiras instáveis, grandes rios e comunidades construídas em vales torna o Himalaia especialmente vulnerável a eventos dessa natureza.

Especialistas também voltam a chamar atenção para o aquecimento da região e para a crescente instabilidade das geleiras.

O Nepal já sofreu outros desastres relacionados a lagos e geleiras nos últimos anos.

Agora, enquanto milhares de militares, policiais, voluntários e socorristas percorrem rios e montanhas, o país enfrenta uma corrida contra o tempo.

Com centenas de mortos e mais de 1.300 desaparecidos entre Nepal e Tibete, autoridades reconhecem que o balanço ainda poderá sofrer alterações significativas nas próximas horas.

As buscas continuam e novas informações oficiais estão sendo divulgadas ao longo desta quinta-feira.

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