
KATMANDU (NEPAL) – A dimensão da tragédia que atingiu o Nepal continua aumentando. Dados divulgados nesta terça-feira (1º) apontam que 1.003 pessoas já morreram e 3.916 continuam desaparecidas após as violentas inundações que devastaram diferentes regiões do país desde o dia 26 de agosto.
As informações mais recentes atribuídas à Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal (NDRRMA) indicam ainda que pelo menos 11.884 pessoas já foram resgatadas.
Entre os desaparecidos estão 583 cidadãos estrangeiros, além de centenas de trabalhadores que atuavam em projetos de geração de energia nas regiões atingidas.
A catástrofe já é considerada uma das mais graves enfrentadas pelo Nepal nos últimos anos.
Apesar das primeiras informações e da associação do Nepal com grandes terremotos ocorridos no passado, a atual tragédia tem outra origem.
O desastre começou na manhã de 26 de agosto de 2026, quando o colapso de parte de uma geleira na região do Himalaia desencadeou uma gigantesca movimentação de gelo, rochas, lama e água.
O material desceu violentamente pelas montanhas e alcançou rios da região, produzindo uma inundação repentina de enorme intensidade.
Imagens de satélite analisadas por especialistas indicam que uma falha na base rochosa abaixo da geleira pode ter provocado o colapso.
A massa de gelo e rochas despencou centenas de metros e avançou pelo vale, gerando uma poderosa corrente de detritos e água.
O resultado foi devastador.
Comunidades inteiras foram atingidas, casas desapareceram, estradas foram destruídas, pontes foram arrancadas e instalações de geração de energia ficaram soterradas.
Os números atualizados revelam a extensão geográfica da tragédia.
Corpos e restos mortais foram recuperados em pelo menos oito distritos: Chitwan, Nawalparasi East, Nawalparasi West, Nuwakot, Gorkha, Dhading, Rasuwa e Tanahun.
Chitwan aparece até agora com o maior número de corpos recuperados, seguido por Nawalparasi East e Nawalparasi West.
Nuwakot e Rasuwa estão entre as áreas que concentram grande número de desaparecidos.
As autoridades alertam, porém, que os números ainda podem sofrer alterações à medida que as equipes conseguem entrar em comunidades anteriormente isoladas.
Um dos maiores desafios enfrentados pelo governo nepalês é localizar as 3.916 pessoas que ainda constam oficialmente como desaparecidas.
Somente em Nuwakot são mais de 1,5 mil desaparecidos. Em Rasuwa, centenas de pessoas continuam sem localização confirmada.
Também existe enorme preocupação com os trabalhadores das hidrelétricas.
De acordo com as informações divulgadas pelas autoridades, 639 pessoas ligadas aos projetos hidrelétricos continuam desaparecidas ou isoladas, enquanto equipes especializadas tentam entrar em túneis e instalações soterradas.
As usinas hidrelétricas tornaram-se um dos principais focos das operações de salvamento.
Centenas de trabalhadores estavam nas instalações quando a avalanche de água, pedras e lama atingiu a região.
Equipes de resgate conseguiram retirar 279 trabalhadores de projetos hidrelétricos, mas as condições para chegar aos demais são extremamente difíceis.
Água e lama bloquearam entradas de túneis, enquanto grandes blocos de rocha impedem a passagem dos socorristas.
Máquinas pesadas, escavadeiras e equipamentos para quebrar rochas estão sendo utilizados para abrir acessos.
Existe a possibilidade de trabalhadores ainda estarem presos dentro de túneis, razão pela qual as operações continuam sendo realizadas mesmo vários dias depois da tragédia.
Em meio ao cenário de destruição, as operações de salvamento também conseguiram retirar milhares de pessoas das áreas de risco.
Mais de 11 mil pessoas foram resgatadas, enquanto helicópteros, veículos militares, escavadeiras e equipes especializadas continuam atuando nas regiões mais atingidas.
Estradas que haviam sido completamente interrompidas começaram a ser parcialmente restabelecidas, permitindo a entrada de alimentos, medicamentos, água potável e equipamentos.
Em algumas localidades, os serviços de energia elétrica e comunicação também começaram a ser recuperados.
Mais de 9,2 mil integrantes das forças de segurança e equipes de apoio foram mobilizados para trabalhos de busca, atendimento aos feridos, remoção de corpos e abertura de estradas.
A tragédia ganhou dimensão internacional porque a região atingida recebe turistas, montanhistas, trabalhadores estrangeiros e peregrinos de diversos países.
Segundo os dados atualizados, 583 estrangeiros continuam entre os desaparecidos no Nepal.
A situação levou governos estrangeiros a mobilizarem diplomatas, especialistas e equipes de emergência.
Famílias de diferentes partes do mundo aguardam informações sobre parentes que estavam na região quando ocorreu a inundação.
Índia e China estão entre os países diretamente envolvidos nas operações de assistência.
Especialistas dos dois países trabalham juntamente com equipes nepalesas.
Pontes temporárias estão sendo construídas para permitir que veículos e equipamentos pesados alcancem comunidades isoladas.
A China anunciou também o envio de especialistas em identificação por DNA, drones, equipamentos para purificação de água e novos carregamentos de ajuda humanitária.
A Coreia do Sul informou o envio de uma equipe de emergência com dezenas de profissionais para auxiliar nas operações em Rasuwa.
O governo nepalês afirma que necessita especialmente de equipamentos e profissionais especializados em resgates dentro de túneis, identificação de vítimas, análise de DNA, tecnologia LiDAR e equipamentos de localização de sobreviventes.
O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, informou que mais de US$ 42 milhões em ajuda já foram destinados ao país.
O dinheiro deverá ser utilizado nas operações emergenciais e posteriormente na reconstrução das áreas devastadas.
A dimensão financeira da tragédia, entretanto, deverá ser muito maior.
Estimativas iniciais do governo apontam que a reconstrução do Nepal poderá exigir aproximadamente US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões, valor equivalente a quase 10% da economia nacional.
O levantamento definitivo dos prejuízos ainda está sendo realizado.
Além da perda de vidas humanas, a infraestrutura sofreu danos gigantescos.
Estradas desapareceram sob a lama, pontes foram destruídas e comunidades ficaram completamente isoladas.
O setor hidrelétrico sofreu um dos impactos mais severos.
O Nepal investiu intensamente na construção de hidrelétricas nas últimas décadas, utilizando os rios que descem do Himalaia para ampliar sua produção de eletricidade e até exportar energia para países vizinhos.
Agora, diversos desses empreendimentos aparecem entre as estruturas atingidas pela catástrofe.
O desastre também reacendeu a discussão internacional sobre os efeitos das mudanças climáticas nas regiões montanhosas.
O primeiro-ministro Balendra Shah afirmou que a tragédia demonstra os riscos crescentes enfrentados pelos países do Himalaia diante das alterações do clima.
Cientistas já vinham alertando para mudanças aceleradas nas geleiras da região.
Embora os especialistas ainda estejam investigando todos os fatores envolvidos no episódio de 26 de agosto, análises preliminares indicam que o colapso da geleira foi decisivo para desencadear a sequência de avalanche, fluxo de detritos e inundação.
Sete dias depois da catástrofe, cada hora se torna importante.
Equipes continuam escavando áreas cobertas por lama e pedras e tentando entrar em túneis das hidrelétricas.
Helicópteros transportam equipes e mantimentos para localidades onde as estradas desapareceram.
Ao mesmo tempo, hospitais, centros de identificação e instalações improvisadas recebem vítimas e familiares em busca de informações.
Para milhares de famílias, a espera continua.
Com 1.003 mortos confirmados e 3.916 desaparecidos, o Nepal ainda não conhece a dimensão final da tragédia.
E enquanto novas regiões começam a ser alcançadas pelas equipes de emergência, as próprias autoridades admitem que o número de vítimas poderá sofrer novas alterações.
Os trabalhos de busca, identificação das vítimas e assistência humanitária continuam em andamento nesta terça-feira, 1º de setembro.
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