
O combate à fome e à insegurança alimentar aparece entre as propostas apresentadas por Omar Aziz (PSD) para o Amazonas. O plano prevê a criação de uma rede de proteção social que pretende alcançar desde famílias em situação de extrema vulnerabilidade nos centros urbanos até comunidades ribeirinhas localizadas em regiões de difícil acesso.
Uma das principais propostas é a criação do programa Alimenta Amazonas, que prevê a utilização de barcos-cozinha itinerantes para percorrer as calhas dos rios e levar refeições e atendimento nutricional às populações de comunidades mais isoladas.
A iniciativa busca adaptar as políticas de segurança alimentar às características geográficas do Amazonas, onde rios são as principais vias de acesso para inúmeras comunidades.
Pelo projeto apresentado, as embarcações funcionariam como estruturas móveis de alimentação, permitindo que o atendimento chegue a localidades onde a implantação e manutenção de unidades permanentes podem enfrentar dificuldades logísticas.
A proposta pretende utilizar a própria malha fluvial amazonense para ampliar o alcance dos programas sociais e atender populações que vivem distantes das sedes municipais.
Além dos barcos, o Alimenta Amazonas prevê a reorganização e estruturação dos espaços de alimentação popular já existentes em Manaus.
Para o interior, a meta apresentada é ainda mais ampla: implantar 35 novas unidades fixas de alimentação popular nos municípios amazonenses em até cinco anos.
Outro eixo da proposta busca relacionar o combate à fome à geração de renda no interior.
De acordo com o planejamento, pelo menos 30% dos alimentos utilizados pelo programa deverão ser adquiridos da agricultura familiar.
Na prática, a medida pretende fazer com que parte dos recursos utilizados para manter a política de segurança alimentar também movimente a economia das próprias comunidades e municípios.
Agricultores familiares e pequenos produtores locais passariam a ter no poder público um mercado consumidor para parte de sua produção, ao mesmo tempo em que os alimentos adquiridos seriam direcionados aos programas sociais.
Dessa forma, a proposta procura estabelecer um ciclo envolvendo produção regional, geração de renda e segurança alimentar.
O planejamento apresentado por Omar Aziz também inclui o programa Alimento para Todos, direcionado especialmente às famílias em situação de maior vulnerabilidade social.
A proposta prevê atuação por meio de cozinhas comunitárias, bancos de alimentos e ações permanentes de distribuição.
O modelo deverá buscar ainda parcerias com empresas, instituições públicas e organizações envolvidas em iniciativas de segurança alimentar.
Para financiar e ampliar a estrutura, o plano prevê a captação de recursos destinados às cozinhas solidárias e o fortalecimento do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
A estratégia também considera a integração entre o Governo do Amazonas, as prefeituras dos municípios e o Governo Federal.
A intenção é evitar que as ações de combate à fome funcionem de maneira isolada, permitindo a formação de uma rede capaz de atender diferentes regiões do Estado.
A logística é um dos principais obstáculos para qualquer política pública destinada às populações do interior amazonense.
Com comunidades localizadas a grandes distâncias dos centros urbanos e, em muitos casos, acessíveis principalmente por via fluvial, programas sociais precisam considerar uma realidade diferente daquela encontrada em outras regiões do país.
É justamente nesse cenário que a proposta dos barcos-cozinha pretende atuar.
Ao combinar estruturas flutuantes, unidades fixas de alimentação, cozinhas comunitárias, bancos de alimentos e compras da agricultura familiar, o plano apresentado por Omar Aziz busca criar uma política de segurança alimentar adaptada à realidade geográfica e econômica do Amazonas.
A proposta coloca ainda o pequeno produtor dentro da estratégia: enquanto famílias em vulnerabilidade receberiam assistência alimentar, agricultores familiares teriam a possibilidade de ampliar o mercado para seus produtos.
O desafio, caso o projeto seja colocado em prática, será transformar a estrutura prevista no plano em uma rede capaz de alcançar de forma contínua as comunidades mais distantes do maior estado brasileiro em extensão territorial.
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