
Manaus (AM) – Uma camada de fumaça voltou a tomar conta do céu de Manaus nesta quarta-feira (9), reduzindo a visibilidade e aumentando a preocupação com a qualidade do ar na capital amazonense. O fenômeno ocorre em meio à presença de focos de queimadas no Amazonas e em outras áreas da região.
Dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), obtidos por monitoramento via satélite, permitem acompanhar focos de fogo ativo e outras informações relacionadas às queimadas no país. O sistema utiliza sensoriamento remoto para identificar e monitorar ocorrências de fogo na vegetação.
De acordo com os dados informados nesta quarta-feira, 582 focos de calor haviam sido identificados no Amazonas até as 15h. É importante destacar que um foco de calor detectado por satélite não representa necessariamente um incêndio individual: uma mesma queimada pode gerar diferentes registros.
Ainda não há uma única origem apontada para toda a fumaça que chegou a Manaus. Informações de pesquisadores e órgãos públicos indicam que o cenário pode resultar da combinação de queimadas próximas à capital com fumaça transportada de regiões mais distantes.
Segundo o pesquisador Rodrigo Augusto Ferreira de Souza, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), parte importante da fumaça observada na cidade estaria relacionada às queimadas ocorridas na Região Metropolitana de Manaus.
A Defesa Civil do Amazonas também relacionou o problema a ocorrências registradas em Manaus e municípios próximos, incluindo incêndios nas regiões do Coroado e do conjunto Canaranas.
Por outro lado, a Prefeitura de Manaus informou nesta quarta-feira que a fumaça também é proveniente de áreas de queimadas ao sul do Amazonas, norte de Mato Grosso e Rondônia. Segundo o município, mudanças na circulação dos ventos favoreceram o transporte desse material em direção à capital amazonense.
O monitoramento divulgado pela Defesa Civil Municipal registrou concentração de partículas finas MP2,5 de 87,6 microgramas por metro cúbico (µg/m³) em uma medição divulgada na manhã desta quarta-feira. O índice foi classificado pelo município como de qualidade do ar “muito ruim”.
As partículas MP2,5 merecem atenção por serem extremamente pequenas e capazes de penetrar profundamente no sistema respiratório. Por isso, períodos prolongados de fumaça representam preocupação especialmente para crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios.
De acordo com a Defesa Civil Municipal, o avanço de uma frente fria pelo centro-sul do Brasil provocou uma mudança temporária no padrão de circulação dos ventos. Essa alteração favoreceu o deslocamento da fumaça produzida em áreas de queimadas para a região de Manaus.
Isso ajuda a explicar por que a capital pode registrar grande concentração de fumaça mesmo quando parte dos incêndios está localizada a centenas de quilômetros de distância.
Diante da piora da qualidade do ar, a orientação oficial é evitar exposição prolongada à fumaça e reduzir atividades físicas intensas ao ar livre durante os períodos de maior concentração de poluentes. A população também deve manter boa hidratação e acompanhar as atualizações dos órgãos públicos.
A Prefeitura informou que o monitoramento das condições meteorológicas e da qualidade do ar continuará ao longo do dia. Casos de queimadas em Manaus podem ser denunciados à Guarda Municipal pelo telefone 153, enquanto situações de risco podem ser comunicadas à Defesa Civil pelo 199.
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