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MP investiga troca de cabos da rede elétrica por alumínio após reclamações em Manaus

Inquérito aberto pelo Ministério Público do Amazonas apura segurança da nova fiação, interrupções no fornecimento, possíveis danos aos consumidores e eventual impacto nas contas de energia.

09/09/2026 às 20h36
Por: Jacob Santiago Fonte: ascom
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MP investiga troca de cabos da rede elétrica por alumínio após reclamações em Manaus

Manaus (AM) – A substituição de cabos da rede de distribuição de energia elétrica por fios de alumínio em Manaus passou a ser alvo de investigação do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM). O órgão instaurou um inquérito civil após receber reclamações de consumidores envolvendo oscilações, interrupções no fornecimento, prejuízos e relatos de incêndios supostamente associados à rede elétrica.

A investigação é conduzida pelas 51ª e 81ª Promotorias de Justiça Especializadas na Proteção e Defesa dos Direitos do Consumidor (Prodecon), sob responsabilidade dos promotores Edilson Queiroz Martins e Sheyla Andrade dos Santos.

O objetivo é verificar se os materiais utilizados na substituição são adequados e se a mudança atende às exigências técnicas e de segurança. O MP também quer saber se a nova estrutura pode afetar a qualidade e continuidade do fornecimento, a medição do consumo ou o valor pago pelos usuários.

Concessionária terá que apresentar explicações

A Âmbar Energia, responsável pela operação, foi notificada para apresentar uma série de informações ao Ministério Público. Entre elas estão a justificativa técnica, econômica e contratual para a utilização dos cabos de alumínio, o cronograma das obras e os laudos técnicos de segurança do material considerando as condições climáticas e temperaturas registradas em Manaus.

A empresa também deverá esclarecer se os investimentos realizados na substituição da fiação poderão gerar algum reflexo na tarifa final de energia. O prazo estabelecido pelo MPAM para apresentação das informações é de até dez dias úteis.

Aneel, Inmetro e Bombeiros também foram acionados

A investigação não ficará restrita às informações fornecidas pela concessionária. O MPAM enviou pedidos de esclarecimentos para diversos órgãos.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deverá informar se a substituição dos cabos está prevista no contrato de concessão ou em plano de investimentos aprovado e esclarecer as regras relacionadas a eventual impacto tarifário.

Já o Inmetro e o Ipem-AM deverão informar se os cabos e equipamentos utilizados possuem certificações, registros e homologações vigentes, além da existência de testes de conformidade segundo as normas técnicas aplicáveis.

O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas também foi acionado. O Ministério Público quer dados sobre ocorrências de curtos-circuitos e outros sinistros relacionados à rede elétrica de Manaus, além de eventuais laudos e fiscalizações que possam contribuir para avaliar a segurança da nova fiação.

Reclamações dos consumidores serão levantadas

Outro ponto importante da investigação envolve diretamente os moradores. O Procon-AM e o Procon Manaus deverão informar se receberam denúncias ou reclamações relacionadas à troca dos cabos.

Entre os problemas que serão levantados estão quedas e oscilações de energia, danos a eletrodomésticos e equipamentos eletrônicos, possíveis alterações na medição do consumo, aumentos considerados atípicos nas contas e eventual falta de comunicação prévia sobre as mudanças na rede.

A promotora Sheyla Andrade destacou que a apuração pretende identificar eventuais impactos econômicos diretos e indiretos da mudança, inclusive se os custos da obra poderão ser repassados aos consumidores por meio da tarifa.

Investigação ainda não significa irregularidade comprovada

É importante destacar que a abertura do inquérito não significa que o uso de cabos de alumínio tenha sido considerado irregular ou inseguro. O que está sendo investigado é se os materiais, especificações, instalações e procedimentos adotados em Manaus atendem às normas e se existe relação entre a mudança e os problemas relatados pelos consumidores.

O próprio uso de alumínio em sistemas elétricos não é, isoladamente, evidência de irregularidade. A apuração deverá analisar aspectos técnicos como dimensionamento, conexões, instalação, certificações e conformidade dos materiais.

Além deste caso, a 51ª Prodecon já conduz outro procedimento relacionado às frequentes interrupções no fornecimento de energia em Manaus e à regularidade dos aumentos tarifários.

O Ministério Público informou que, após receber e analisar as respostas, poderá avaliar a necessidade de novas providências, incluindo medidas extrajudiciais ou judiciais para proteção dos consumidores.

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