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ESPECIAL | Márcio Braga: do humor e do rádio à política.

O “Maninho” quer transformar popularidade em representação na Aleam

24/08/2026 às 17h37 Atualizada em 24/08/2026 às 17h45
Por: Jacob Santiago Fonte: ascom Márcio Braga
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ascom Márcio Braga
ascom Márcio Braga

Nascido em Tefé, humorista, radialista, apresentador e palestrante construiu uma carreira de décadas na comunicação amazonense e agora coloca seu nome à disposição do eleitor para uma cadeira na Assembleia Legislativa do Amazonas

Durante anos, Márcio Braga fez o amazonense rir.

No rádio, na televisão, nos palcos ou diante do público, seu humor irreverente transformou situações comuns da vida amazônica em personagens, histórias e piadas.

Agora, em 2026, o comunicador vive um capítulo diferente de sua trajetória.

Conhecido também como Márcio Braga Maninho, ele registrou candidatura a deputado estadual do Amazonas pelo Podemos (PODE), com o número 20.777.

A candidatura coloca diante do eleitor um personagem conhecido da comunicação amazonense, mas agora em uma arena na qual aplausos e audiência dão lugar ao voto.

E para entender essa decisão é necessário voltar algumas décadas.

Antes do candidato existiu o menino de Tefé.

Antes da política, vieram o rádio, o humor e uma longa caminhada na comunicação.

O menino de Tefé que descobriu cedo o humor

Márcio André Braga Ferreira nasceu em 29 de março de 1975, em Tefé, no interior do Amazonas. Em 2026, chega ao processo eleitoral aos 51 anos. Os dados de sua candidatura informam ainda formação superior completa e ocupação profissional de locutor, comentarista de rádio e televisão e radialista.

Mas muito antes de pensar em disputar uma eleição, Márcio já demonstrava uma característica que acabaria determinando boa parte de sua vida profissional:

fazer as pessoas rirem.

Registros sobre sua trajetória contam que sua relação com o humor começou ainda em Tefé, fazendo piadas e imitações entre familiares.

Ao mesmo tempo, surgiu outra paixão: o rádio.

Era o começo de uma relação com o microfone que atravessaria décadas.

Do interior para Manaus

Como acontece com tantos amazonenses nascidos no interior, a trajetória de Márcio acabaria chegando à capital.

Mas o caminho até o reconhecimento não foi linear.

Relatos antigos sobre sua história registram diferentes experiências profissionais antes da consolidação artística. Já em Manaus, trabalhou com atividades diversas, passando por vendas e outros empregos enquanto buscava seu espaço.

Essas experiências acabariam fornecendo matéria-prima para algo que posteriormente se tornaria uma de suas marcas.

Márcio aprendeu a rir das próprias dificuldades.

E, principalmente, aprendeu a transformar situações cotidianas em humor.

O rádio muda a história

Foi diante do microfone que o nome Márcio Braga começou a ganhar força.

Apaixonado pelo rádio desde cedo, iniciou apresentações ainda na Radiobrás e, posteriormente, já em Manaus, criou um programa que se tornaria fortemente associado à sua carreira: “Na Hora do Roxo”.

A irreverência, as brincadeiras e os personagens aproximaram o radialista do público.

Em 2012, A CRÍTICA já destacava Márcio Braga como humorista e radialista, à época comandando seu programa na rádio A Crítica FM.

Aquele menino que fazia imitações em Tefé agora tinha sua voz chegando diariamente a milhares de ouvintes.

Do rádio para a televisão

O passo seguinte seria natural.

A televisão abriu novas possibilidades.

Ao longo da carreira, Márcio Braga acumulou trabalhos no Grupo Rede Amazônica e na Rede Calderaro de Comunicação, atuando como apresentador de rádio e televisão e levando seus personagens para novos públicos.

Na Rede Amazônica, afiliada da Globo no Amazonas, existem diferentes registros de sua atuação.

Em 2016, por exemplo, a própria emissora registrou Márcio Braga comandando ações e eventos como humorista e radialista.

No ano seguinte, passou a integrar a equipe do programa Paneiro, onde comandou o quadro “Na Beira da Fama”.

A proposta tinha um componente que combinava com sua personalidade: procurar pessoas anônimas que possuíam talento musical, mas que, pelas circunstâncias da vida, nunca haviam conseguido chegar aos palcos.

Era entretenimento, mas também era oportunidade.

Um humor genuinamente amazonense

Márcio Braga nunca tentou esconder suas origens.

Ao contrário.

Transformou o jeito amazonense de falar, as histórias do cotidiano, a política local e situações vividas pela própria população em elementos de seu humor.

Até mesmo no teatro decidiu brincar com um dos formatos mais conhecidos da comédia.

Em vez do tradicional “stand-up”, criou o “Scangalha-up”.

No espetáculo, misturava piadas, paródias e acontecimentos da própria vida em um formato livre de humor.

A fórmula ajudou a consolidar sua identidade artística.

Márcio não precisava interpretar alguém distante da realidade de seu público.

Boa parte de sua comédia estava justamente em observar o amazonense e permitir que o amazonense risse de si mesmo.

Até os políticos viraram personagens

Durante sua trajetória humorística, nem mesmo a política escapou.

Márcio ficou conhecido também por criar personagens e imitações inspirados em figuras da vida pública amazonense.

Em entrevista concedida ainda em 2012, ao ser questionado sobre possíveis problemas provocados pelas imitações de políticos, resumiu sua visão afirmando que “o humor não possui partido político”.

Naquela época, a política era matéria-prima para a piada.

Anos depois, seria o próprio humorista quem decidiria colocar seu nome diante das urnas.

Humor também virou motivação

A carreira de Márcio Braga ganhou ainda outra vertente.

Depois de anos fazendo o público rir, começou a utilizar as próprias experiências pessoais e profissionais em palestras.

Nascia o conceito chamado por ele de “Humortivacional”.

A proposta combinava humor, empreendedorismo, histórias de vida e motivação.

Em vez de abandonar a comédia para se tornar palestrante, Márcio fez o contrário: levou a comédia para dentro das palestras.

A iniciativa chegou a empresas e instituições de grande porte. Registros de 2018 mencionam apresentações para organizações como Coca-Cola, Procter & Gamble, Havaianas, JBL, Pioneer, Sony, ABRH, CRC-AM, CREA-AM, Fogás e Sebrae.

Era uma nova etapa profissional.

O humorista continuava provocando risadas, mas agora buscava também provocar reflexão.

A relação com as causas sociais

Existe ainda uma dimensão menos conhecida de sua trajetória.

Em entrevista sobre sua história, Márcio Braga relatou utilizar sua visibilidade para ajudar pessoas e desenvolver trabalhos sociais com crianças e idosos, mencionando iniciativas envolvendo desde alimentos até outras necessidades de comunidades.

Esse contato com diferentes realidades sociais também ajuda a compreender a imagem que o comunicador procura levar para a vida pública.

Depois de décadas conversando com ouvintes, entrevistando pessoas e percorrendo comunidades como profissional da comunicação, Márcio decidiu transformar essa experiência em participação política direta.

De volta às raízes

Mesmo depois de construir grande parte da carreira em Manaus, Márcio nunca rompeu sua relação com Tefé.

Em janeiro de 2026, foi noticiado seu retorno ao rádio de sua cidade natal, com estreia na Rádio Alternativa FM de Tefé.

O retorno tem forte simbolismo.

Décadas depois de sair do município onde começou a fazer piadas e imitações, o comunicador voltou às ondas do rádio justamente em um ano decisivo para sua trajetória.

Poucos meses depois, seu nome apareceria oficialmente no processo eleitoral.

2026: o humorista entra na disputa

Nas eleições deste ano, Márcio Braga registrou candidatura a deputado estadual pelo Podemos.

Seu nome eleitoral é Márcio Braga Maninho.

Seu número é 20.777.

E os registros eleitorais identificam sua ocupação justamente como profissional do rádio e da televisão.

Na atualização consultada, entretanto, existe uma informação importante: o pedido de registro ainda aparecia como “aguardando julgamento” pela Justiça Eleitoral. Portanto, sua candidatura estava registrada, mas ainda em análise naquele momento.

A decisão de disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa representa uma mudança significativa.

O homem acostumado a observar os políticos agora quer participar diretamente das decisões políticas.

O comunicador que passou anos ouvindo histórias quer transformar essa proximidade com a população em representação parlamentar.

Do microfone para a tribuna?

Existe uma enorme diferença entre um estúdio de rádio e o plenário de uma Assembleia Legislativa.

No rádio, o comunicador fala diretamente com seu público.

No Parlamento, precisa discutir leis, analisar orçamento, fiscalizar o Executivo, participar de comissões e tomar decisões que podem afetar milhões de pessoas.

Márcio Braga terá, portanto, o desafio de convencer o eleitor de que sua experiência na comunicação pode ser transformada em capacidade de representação política.

Popularidade ajuda.

Mas uma eleição exige mais.

Exige propostas, posicionamentos e capacidade de demonstrar ao eleitor o que pretende fazer caso conquiste uma das 24 cadeiras da Aleam.

Um novo personagem e desta vez, ele mesmo

Talvez exista uma ironia interessante nesta história.

Durante décadas, Márcio Braga interpretou personagens.

Imitou políticos.

Criou tipos populares.

Contou histórias.

Fez paródias.

Riu das dificuldades.

E transformou a própria vida em comédia.

Agora, diante do eleitor, o personagem precisa dar lugar ao cidadão.

Porque na urna não estará apenas o humorista.

Estará Márcio André Braga Ferreira, nascido em Tefé, profissional da comunicação, radialista, apresentador, palestrante e candidato a deputado estadual.

De Tefé para o Amazonas

A trajetória de Márcio Braga é também uma história de alguém que saiu do interior e construiu reconhecimento na capital sem abandonar a identidade amazonense.

Tefé deu origem ao menino.

O rádio revelou o comunicador.

Os palcos consolidaram o humorista.

A televisão ampliou sua popularidade.

E agora a política apresenta um novo desafio.

Se durante tantos anos Márcio Braga teve como missão arrancar risadas do público, em 2026 seu objetivo é muito diferente:

conquistar a confiança do eleitor.

A decisão final será das urnas.

E será o povo amazonense quem decidirá se o “Maninho” que ficou conhecido diante dos microfones terá a oportunidade de trocar o estúdio e os palcos também pela tribuna da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas.

Para Márcio Braga, a eleição de 2026 poderá representar muito mais que uma disputa eleitoral.

Poderá ser o começo do capítulo mais diferente de uma história que começou, muitos anos atrás, com um menino de Tefé descobrindo que tinha o talento de fazer as pessoas sorrirem.

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